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sábado, 2 de novembro de 2013

O melhor e o pior da DC - Novos 52

Quase um ano e meio se passou, desde o lançamento da "nova DC" no Brasil. A reformulação de todo um universo de histórias, conhecida como a série Novos 52, foi-nos trazida pela Panini, e desde seu surgimento tem nos mostrado muita coisa boa, bem como muita porcaria. Enfim, após 16 edições, mais especiais, das revistas que estou colecionando, resolvi tecer alguns comentários sobre o assunto. Afinal, minha coleção da DC é, atualmente, meu principal passatempo.

Ao longo da matéria, os nomes de personagens são usados em letras comuns; os nomes das revistas originais americanas aparecem Assim# (traduzidos, quando aplicável) e os nomes dos "mixes"/pacotes nacionais aparecem Assim.

(A matéria contém alguns Spoilers...)




As melhores




Batman#: Sem sombra de dúvidas,  o Homem-Morcego tem recebido um destaque impressionante da DC neste novo universo. É o único herói da editora a ter três revistas principais, e você ainda pode ver aventuras de heróis "subalternos", na cidade de Gotham City, em mais uma porrada de revistas-irmãs. Sem contar que ele participa da Liga da Justiça# e da Liga da Justiça Internacional#.

A atenção sobre o Cavaleiro das Trevas é certamente merecida; apesar de que a maioria dos fãs da DC levanta a bandeira do Superman, quando se fala em "carro-chefe" da editora, eu sempre confiei nas histórias do Batman. E a revistas Batman#, dentre todas as existentes no pacote Batman da Panini, é a manda-chuva. As histórias têm bom roteiro e um misto bem equilibrado de todos os elementos que fazem de Batman um dos meus heróis favoritos - mistério, investigação, combate ao crime, sentimento de insanidade sempre pairando...

Muita polêmica houve sobre a mudança no passado do herói, com a possibilidade de ele ter um irmão. Eu sou sincero em afirmar que adorei a trama e vi nisso um trunfo muito bem colocado na identidade do universo Novos 52. Por outro lado, o personagem sofre com a grave falta de organização editorial por parte da DC. Afinal, suas histórias não foram inteiramente "rebootadas" e a ideia de que ele existe há apenas 5 anos dentro do cenário faz você se perguntar um monte de questões sem resposta conclusiva: por exemplo, como diabos ele teria adotado e treinado tantos Robins em apenas cinco anos de existência? Ele gerou seu filho Damian Wayne antes de ser Batman (o guri tem dez anos, se não estou enganado)? Por que ele tem a carta de seu pai na Batcaverna, trazida por Barry Allen de outra realidade,  se essa carta está relacionada a eventos anteriores ao presente universo Novos 52?

No que diz respeito às outras revistas do pacote Batman - Batman O Cavaleiro das Trevas# e Detective Comics#, não cometo nenhum engano em afirmar que são boas, mas seu nível de qualidade está um pouco aquém da principal. Particularmente, tem sido bastante difícil  relacionar as histórias umas com as outras, em termos de cronologia. Só recentemente, por exemplo, com a saga Morte da Família (da Batman#), ficou claro que os eventos da Detective Comics# que mostraram o desaparecimento do Coringa,  passaram-se um ano antes da saga A Corte das Corujas. E nesse tempo todo, Bruce Wayne teve duas namoradas (ou seriam três...?), mesmo que tantos grandes esquemas vilânicos estejam acontecendo nas três revistas...






Lanterna Verde#, Tropa dos Lanternas Verdes#, Lanterna Verde: Novos Guardiões#: toda a grande coleção relacionada à Tropa dos Lanternas Verdes é fenomenal. As tramas se encaixam com muita coesão e os diálogos são sempre bem elaborados. Sem contar que o lema dos lanternas, mesmo sendo algo tão "cafona", sempre surge nas histórias em um momento muito emocionante, tornando-o "aquele algo mais" pra fazer os pelinhos do braço arrepiarem durante a leitura! Além disso, os personagens são bastante cativantes: nomes como Hal Jordan, Guy Gardner, John Stewart e Kyle Rayner, e até mesmo o sempre contraditório Sinestro, tornaram-se ícones.

Dentre as três revistas, Novos Guardiões# começou um pouco fraca, por conta do problema clássico da formação de um grupo heterogêneo de personagens. Os diálogos dos primeiros números eram pobres, mesmo que a trama em si fosse interessante. Após o confronto dos heróis contra o anjo Invictus, as coisas se tornaram mais interessantes, principalmente por conta da ideia de Kyle Rayner estar reunindo o poder de todos as emoções do espectro em si, tornando-se uma espécie de "Lanterna multi-colorido" (isso soa estranho...), e então o único Lanterna Branco existente.

Só há um problema com toda a mitologia dos Lanternas dentro do Universo DC: eles não tiveram suas histórias propriamente reiniciadas com o lançamento dos Novos 52. Todas as revistas continuaram de onde estavam, a partir dos eventos de uma Guerra entre todos os tipos de lanternas e dos males da Noite mais densa. Além disso, é quase improvável localizar os eventos das três revistas em relação a outras da DC Novos 52, caso você esteja fazendo um esforço pra considerar que tudo é um mesmo universo coeso. Por dedução, acredito que a Guerra dos Lanternas teria ocorrido após a saída do Lanterna Hal Jordan da Liga da Justiça (o que ocorreu após os eventos da Jornada do Vilão); e da mesma forma, o número 1 da Tropa dos Lanternas Verdes# ocorre após a separação da Liga da Justiça Internacional (pois isso é crucial, com relação ao Lanterna Guy Gardner).





Liga da Justiça#: admito que o primeiro arco de histórias da Liga não era lá essas coisas - bom, no máximo, sem qualquer adjetivo mais específico. Os heróis se uniram, sem qualquer precedente, para enfrentar uma ameaça sem igual, vinda de outro mundo. A necessidade formou o grupo, ok, mas e quanto ao trabalho harmônico de equipe? Como ele se formaria de uma hora para outra? De todo modo, os fatos se sucederam muito rapidamente, com um roteiro que enfatizou a "porradaria" e pouco diálogo.

Depois disso, a revista da Liga compete em qualidade com as tramas dos Lanternas Verdes. A Jornada do Vilão foi uma história particularmente empolgante e O Trono da Atlântida, saga repartida com a revista Aquaman#, mostrou-se incrível.

Mais recentemente, temos sido abrilhantados pela participação de Shazam em histórias secundárias da revista. É meu herói favorito há algum tempo, e estou bastante interessado no futuro que o universo DC Novos 52 possa estar reservando para ele. Ainda não consigo entender por que ele não tem uma revista própria, mas fazer o quê? O fato de sua história estar sendo contada detalhe por detalhe, sem afobamento, é a característica mais marcante até aqui. A identidade do herói, como resultado, ficará bem definida para o novo cenário.




The Flash#: lembro de ter lido algumas histórias do Flash de tempos atrás. Mas nenhuma delas me marcou a ponto de eu poder afirmar que Flash era um dos meus heróis favoritos. No universo Novos 52, por outro lado, Flash obteve essa marca. Sua relação com a Galeria, os vilões de Central City e Keystone City, é algo bastante incomum, pois existe muita pessoalidade entre eles. É como se o Flash fosse um "quase-amigo" dos caras. E este é um ponto interessante de sua identidade. Além disso, a revista me conquistou simplesmente porque o roteiro é impecável.

Fiquei muito desapontado com a Panini por ter cancelado o mix Flash, sendo que, meses depois, eles trouxeram Arqueiro Verde e Exterminador de volta a um título, enquanto o Flash ficou na revista Universo DC. Pura sacanagem, principalmente porque eu não coleciono a referida revista...




Superman#: Com bons roteiros e um personagem cativante, a revista tem os ingredientes certos para estar sempre entre as mais vendidas e mais admiradas. Entretanto, por alguma razão, eu sempre tenho um "pé atrás", e leio cada número como se fosse o único (obviamente, relacionando com os números anteriores em termos de trama), porque nem todas as histórias que li até hoje do Super foram boas, como me ocorreu em relação ao Batman. Por exemplo, a primeira aparição de Helspont na revista é decepcionante, porque o vilão é muito clichê e os diálogos foram pobres. Além disso, a revista considera a existência do Super como uma longa história de combate a super-vilões e ameaças de todos os tipos. Mas até o número 16, não havia porque considerar Lex Luthor um vilão - exceto pelo fato de ele ter sido um vilão antes dos Novos 52.

Vejam bem: Lex aparece na revista Action Comics#, capturando e torturando o Super mais jovem. Mas ele tem "seus motivos", e está agindo sob supervisão e com autorização de um governo reconhecido. Seus métodos são maus, suas intenções questionáveis, mas ele tem real interesse em ajudar a humanidade - ou é isso que o roteiro deixa a entender. Como podemos afirmar que ele é um vilão de fato? E aí, relacionando esse contexto com sua primeira aparição em Superman#, pergunto: o que aconteceu para levar Luthor a ser preso numa fortaleza isolada e quase intransponível, exceto para o próprio Superman? Só o fato de ele ter tentado negociar com o Colecionador de Mundos? Acho crime maior o Superman invadir uma base autorizada por um governo legal, sem nenhum documento ou ordem de autorização, simplesmente porque ele pode!

Enfim, a revista está mostrando nos últimos números uma ótima saga, chamada Inferno na Terra, fortemente inter-relacionada com Supergirl# e Superboy#. Estou bem curioso quanto à sua conclusão.


Capitão Átomo#: Minha opinião sobre o herói mais poderoso - dentre os protagonistas - do Universo DC Novos 52 já apareceu aqui no Blog, em uma matéria específica dedicada ao mesmo. Infelizmente, descobri que nem nos EUA, nem aqui no Brasil, havia muitos leitores e fãs concordando comigo. Por conta disso, a revista foi cancelada.

A dúvida que paira em mim é o porquê. Tudo bem, os desenhos eram difíceis, mas apenas numa primeira impressão. Observando e analisando sob o ponto de vista do estilo que o artista buscava, dava pra perceber fácil que Capitão Átomo# era uma revista mais voltada para a ficção científica e o drama pessoal, e menos uma revista de super-herói, o que fazia tanto o personagem quanto as tramas algo diferente do comum; pra mim, uma qualidade excepcional. Além disso, os roteiros não tinham furos e os diálogos eram coesos. Enfim, não vou me delongar. A revista acabou e é o que há.


As piores



Liga da Justiça Internacional#: a formação desta equipe se deu da maneira mais inadequada possível. Por interesse da ONU, um montão de heróis que nada sabiam de si se reuniu para enfrentar o mal. Ok, não seria exatamente tão distante do conceito da Liga original, mas o que torna tudo uma grande porcaria é o roteiro ruim - sem coerência, sem coesão, sem qualidade nenhuma nos diálogos. Os personagens principais - que incluem o Lanterna Guy Gardner, o Gladiador Dourado, Batman e mais um monte de secundários fazendo ponta de protagonistas -discutem e brigam um monte pra se ajustarem como grupo e passam mais tempo sendo malsucedidos do que realmente fazendo algo que preste

Uma matéria da própria Panini a respeito das origens da revista menciona ideia de a LJI ser um tipo de "revista cômica de super-heróis", e aí você começa a se perguntar onde teriam colocado o lado cômico... No máximo, a LJI é uma tragédia sem graça, embora os personagens tenham sido tratados de forma bem "pastelão" - exceto o Batman, claro, que é sempre foda. Hehehehe.

E pra não dizer que tudo são cacas, bem... ah, não há o que salve essa aqui.




Arqueiro Verde#: no que diz respeito aos primeiros doze números, que vieram no mix Flash, toda a mitologia do antigo Arqueiro Verde (que eu conheci pouco, admito) parecia ter ido por água abaixo. Restava como protagonista um playboy irresponsável, de pouca inteligência visível (embora, até onde o conceito nos informa, ele é um grande gênio) e heroísmo duvidoso. Além disso, os motivos das tramas eram bobos, os diálogos ridículos, os vilões absurdos; e a arte de algumas edições chegava a ser incompreensível, ao ponto de eu admitir que Rob Liefeld não era o pior desenhista da DC...

A partir do número 17, Arqueiro Verde# entrou em nova fase. Nada do que havia sido feito até ali seria "cancelado", mas um novo rumo, com melhores roteiros e maior semelhança com o antigo mito, seria o enfoque. Isso veio ao Brasil na forma da nova revista Arqueiro Verde, que, com apenas um número até agora, parece que vai limpar o nome do nosso Robin Hood moderno, mas ainda temos que esperar para ver no que vai dar...


As Controversas



Action Comics#: Cabe dizer que adorei a primeira fase da revista. A reformulação da origem do Superman ficou excepcional. E, diferente de muita gente pela internet afora, eu não vi nenhum despautério em tornar o jovem Superman alguém mais ríspido e incisivo. Até porque ele se modifica um pouco depois de enfrentar o Colecionador de Mundos, percebendo o quanto suas ações na Terra tem significado, e parece apontar para um Superman mais "escoteiro", como todo mundo diz que ele tem de ser (E ele age assim na revista Superman#).

Mas esde que o vilão anão de outra dimensão Vingtvx começou a ser enfocado, a história toda ficou muito confusa... você nunca sabe em que tempo acontecem as histórias, se realmente acontecem ou não, é uma bagunça... Eu percebi que a primeira aparição da Legião dos Super Heróis e do Exército Anti-Superman, dentro do primeiro arco, ocorre no "momento errado" da trama: naquele momento, o módulo espacial kryptoniano ainda não estava em tamanho natural, a bordo da nave do Colecionador de mundos; em vez disso, estaria encolhido, dentro de um caminhão militar, na Metrópolis engarrafada. Logo, a história poderia ter sido mostrada ao final do primeiro arco, e não durante.

Com um pouco de esforço mental, dá pra entender, claro. Mas, mesmo que o propósito da trama seja exatamente esse - a confusão espaço-temporal criada por um ser superpoderoso que pode alterar a própria realidade- considerei o trabalho com o tema de leitura difícil.  Espero que melhore depois que a trama se encerrar - se é que vai se encerrar...






Exterminador#: Pegue qualquer edição da revista não assinada pelo famigerado Rob Liefeld e você tem roteiros simples, cheios de ação e diálogos concisos, mesmo que rápidos e rasteiros. Rola bastante sangue e dá pra sentir a adrenalina de cada cena, o que faz da revista uma leitura despretensiosa e divertida, pra quem curte ação, boa pra passar o tempo.

INFELIZMENTE a revista foi parar na mão do Rob Liefeld por vários números. Aí já viu: roteiro de qualidade péssima, diálogos mal elaborados, narrativa debilitada forçosamente focada em quadros de pensamentos... e desenhos muito, muito ruins, que não dá mesmo pra você chamar de "estilo do artista". A pior de todas foi a "origem" do protagonista, contada quase como uma biografia - e das bem detestáveis.

Por sorte, a DC devolveu o bom rumo à revista, tirando o o Rob Liefeld da jogada, no último número, que apareceu aqui no Brasil no novo mix Arqueiro Verde. Esperemos que não volte a piorar...


A Surpresa



Supergirl#: uma heroína adolescente perdida em um mundo que não entende, cheia de inseguranças típicas, não é algo em que apostar... mas os roteiros da revista tem sido bem cuidados e a protagonista mostrou seu valor. Outra qualidade que vem à mente é que a revista teve um cuidadoso "reboot" e total imersão dentro do novo Universo Novos 52, algo mal realizado (ou não realizado) em algumas outras revistas, como Batman e Lanterna Verde. Sua história com a Banshee Prateada foi fraca, mas a revista mantém meu apreço, principalmente nos números mais recentes, dentro da trama Inferno na Terra.

2 comentários:

Murilo Mattos Monteiro disse...

Rapaz,gostei muito da matéria. Acrescentaria entre as melhores, Batman e Robin que explora a relação entre pai e filho com os ótimos roteiros do Paul Tomasi e arte do Patrick Gleason- que deixaram sua marca na Tropa dos Lanternas Verdes pré-52. A tensão entre os dois é algo. Flash, como já tinhamos conversado antes, foi uma das melhores que apareceram sem sombra de dúvida. Como sou fã do Morcegão gosto de quase todas as revistas da batfamília mas acrescentaria entre as piores Capuz Vermelho.

Giovane do Monte disse...

Não estou acompanhando "A Sombra do Batman", Murilo. Mas seu comentário me deixa bem curioso.